Objetivos e breve história do CeCAC

Em nosso primeiro boletim (em outubro de 1995), quando foi fundado o CeCAC, afirmamos que o Centro Cultural Antonio Carlos Carvalho estava “sendo inaugurado com o intuito de resgatar e incentivar a trajetória de lutas populares pela democracia, pelo progresso social, científico e cultural de nosso povo e de povos de outros países.”

O CeCAC foi criado numa conjuntura em que era urgente linear uma bandeira de resistência, bandeira que reunisse em torno dela um conjunto de companheiros que ousavam pensar por si mesmos. Uma ação de emergência. As condições que cercaram a criação do CeCAC, enfrentando o totalitarismo do pensamento único “neoliberal”, e a necessidade de dar respostas urgentes às questões colocadas pela luta de nosso povo, nos levou a travar a batalha em todos os campos em que essa luta se expressava: na ciência da história, na economia, na política, nas artes. Assim, um dia discutíamos a saga de Canudos; noutro, a crise geral do capitalismo, passando pelo neoliberalismo; a seguir as raízes da música popular brasileira e o choro; a Revolução de 1917 na Rússia; debatíamos o tenentismo; depois, a epopéia da Coluna Prestes, para, então, voltar às políticas nefastas do neoliberalismo no Brasil, passando pelos movimentos de resistência política e cultural ao golpe de 64; pelo resgate do teatro e do cinema nacional e assim por diante.

Percebemos, em determinado momento, a partir da prática que travamos, que era necessária uma outra formatação para nosso Centro Cultural. Essa avaliação nos levou a estabelecer um eixo, um objetivo mais definido para o CeCAC. Procuramos centrar nosso trabalho e esforços em aprofundar nosso conhecimento sobre o marxismo, a ciência da história, seu método, nos armar de um conhecimento mais sólido, profundo. Estudar nossa formação social, nossa história, não pontualmente, mas metodicamente. Procurar definir as tarefas que se colocam para nosso povo, concentrando nossa atenção naquilo que para nós é relevante para o processo de libertação de nosso povo.

Assim, num esforço coletivo, em 2000, publicamos os cadernos de debates nº. 1, 2 e 3 com o sentido de retomar a teoria marxista e temos realizado diversos grupos de estudos que abrangessem esta proposição e debate.

Hoje, a guerra, a fascistização e a barbárie são impostas pelos EUA como alternativas globais. Porém, a resistência dos povos contra as agressões imperialistas, com destaque para a heróica resistência do povo iraquiano contra a ocupação, impõe limites à opressão e à exploração e intensifica a luta de classes no mundo.

O CeCAC se coloca dentro da perspectiva de barrar essa ofensiva ideológica e política das classes dominantes – internacionais e nacionais – que tentam, desesperada e obsessivamente, minar nos corações e mentes a iniciativa revolucionária, a unidade dos trabalhadores, a ação coletiva, a organização do povo e de sua vanguarda. Pressentem que essa ofensiva tem pés de barro diante da resistência que tal política engendra, pois mesmo desfavorável em curto prazo, o horizonte político das conquistas que interessam ao conjunto da classe operária e do povo está em suas próprias mãos, na colossal força revolucionária de sua ação coletiva e organizada, política e sindical.

Portanto, a conjuntura – de crise geral do sistema capitalista e de resistência das massas populares à ofensiva do imperialismo no mundo e no Brasil – acelera a necessidade de retomar o estudo e a compreensão do marxismo-leninismo, seus princípios gerais, e sua “aplicação” na realidade concreta, mundial e brasileira. Esse esforço se coloca com o sentido de contribuir para a definição de uma linha política e ideológica justa da revolução brasileira, para retomar o movimento de massas combativo e classista e reconstruir suas organizações de luta sindical e política. Mobilizar e organizar sua luta de acordo com esta linha justa, que será desenvolvida, retificada e amadurecida na prática cotidiana da luta de classes.

O resgate e valorização da cultura popular, nacional e internacional, continuarão sendo um dos objetivos do CeCAC neste novo momento. A resistência cultural sempre foi um elemento fundamental da luta de um povo pela sua independência e autodeterminação. Nesse sentido iremos ampliar nosso acervo de filmes e documentários e reforçar uma experiência que marcou a história do CeCAC: a atividade de exibição de vídeos e após a realização de um debate, o já tradicional 'Vídeo e Debate'.

Para fazer frente a estas tarefas, o CeCAC promove reuniões - de duas em duas semanas - do grupo de estudo com textos sobre marxismo, imperialismo e a formação social brasileira e uma ou duas atividades gerais ao mês, palestras e vídeos seguidos de debates sobre os mais variados temas: marxismo, conjuntura, cultura, história da luta dos povos, etc. Dentro de nossas possibilidades, participamos de manifestações, debates e atividades mais gerais que concorram para realização de nossos objetivos. O CeCAC edita um boletim informativo contendo sua programação, matérias de denúncias, artigos teóricos e de análise, especialmente do desenvolvimento da conjuntura internacional e nacional.